Famílias brasileiras enfrentam juros altos, inflação e dívida

setembro 8, 2026

Administrar o orçamento das famílias no Brasil tornou-se bastante desafiador no atual ambiente econômico, marcado por elevado endividamento, crédito caro, inflação e incertezas.

Em julho de 2026, 82% das famílias brasileiras declararam possuir dívidas a vencer, maior percentual da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). No mesmo mês, 29,8% das famílias tinham contas ou dívidas em atraso.

Ao mesmo tempo, o dinheiro permanece caro. Em agosto de 2026, o Copom reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para 14% ao ano. A taxa permanece em dois dígitos há cerca de quatro anos e meio, desde fevereiro de 2022.

A inflação também compromete o orçamento doméstico. Em junho de 2026, o índice oficial de inflação do país, o IPCA, acumulava alta de 4,64% em 12 meses. Mesmo quando a inflação desacelera, os aumentos acumulados de preços reduzem o poder de compra das famílias.

Esse contexto mostra que não basta adotar soluções simplistas como “gastar menos” ou “poupar mais”.

1. Endividamento e renda comprometida

Ter dívidas não significa necessariamente estar em dificuldade financeira. O financiamento imobiliário para aquisição da moradia própria, por exemplo, permite a formação de patrimônio.

O problema surge quando uma parcela crescente da renda familiar futura já está comprometida.

Segundo o Banco Central, em junho de 2026, o endividamento das famílias correspondia a 49,8% da renda acumulada em 12 meses, enquanto o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas estava em 28,9%.

Quanto maior esse comprometimento, menor tende a ser a margem para imprevistos, formar reservas, investir ou realizar novos projetos.

Não basta saber quanto a família recebe; é preciso saber quanto da renda futura já está comprometida.

Como economizar de forma racional?

Antes de cortar pequenas despesas, vale identificar quais gastos impactam mais o orçamento.

Algumas medidas podem ajudar:

  • reduzir ou substituir dívidas caras;
  • evitar novas parcelas antes de avaliar o comprometimento da renda;
  • comparar o custo total dos financiamentos;
  • revisar despesas recorrentes;
  • formar, aos poucos, uma reserva para imprevistos.

2. Risco devido à inflação e juros altos

Risco financeiro não existe apenas nos investimentos. Ele também aparece quando uma família financia, parcela, usa o cartão de crédito ou assume compromissos cuja capacidade futura de pagamento é incerta.

Em julho de 2026, a taxa média das operações de crédito livre para pessoas físicas estava em 60% ao ano. A inadimplência nesse segmento alcançou 7,8%.

Com juros elevados, erros de planejamento ficam mais caros. Parcelamentos sucessivos, crédito rotativo ou empréstimos contratados sem avaliar taxas e prazos podem consumir uma parcela cada vez maior da renda familiar.

Inflação e juros afetam o orçamento das famílias por caminhos diferentes:

  1. A inflação reduz o poder de compra da renda familiar.
  2. Os juros elevados aumentam o custo do dinheiro emprestado.

A combinação é difícil: o custo de vida sobe e, se o orçamento não fecha, a família pode recorrer justamente ao crédito que também está caro.

Em períodos de inflação e juros elevados, é essencial preservar o poder de compra e evitar que a renda seja consumida pelas dívidas.

E como fazer o dinheiro render mais?

Para famílias que conseguem poupar, juros elevados também criam oportunidades. Aplicações de renda fixa podem oferecer remunerações maiores.

Mas escolher apenas pela taxa pode ser um erro. Também é importante observar rentabilidade líquida, inflação, prazo, liquidez, tributação e risco.

Um investimento que rende acima da inflação ajuda a preservar ou ampliar o poder de compra. Já uma taxa nominal elevada pode parecer mais atraente do que realmente é depois de impostos, custos e inflação.

A estratégia deve considerar os objetivos da família, e não apenas a maior rentabilidade disponível.

3. Macroeconomia afeta o orçamento doméstico

As finanças familiares não funcionam isoladamente do restante da economia. Elas sofrem influência do governo e do sistema financeiro, com reflexos na taxa de juros, inflação, crédito, expectativas e atividade econômica.

Em julho de 2026, o setor público consolidado apresentou superávit primário de R$ 1,4 bilhão no mês. Nos 12 meses encerrados em julho, porém, houve déficit primário de R$ 89,3 bilhões, equivalente a 0,67% do PIB.

No mesmo período, os juros nominais alcançaram R$ 1,150 trilhão, enquanto o déficit nominal acumulado chegou a cerca de R$ 1,240 trilhão, ou 9,34% do PIB. A Dívida Bruta do Governo Geral atingiu 82,5% do PIB.

Esses números, isoladamente, não explicam o comportamento dos juros ou da inflação. Mas ajudam a entender por que política fiscal, política monetária e expectativas também afetam o orçamento das famílias.

Mudanças no ambiente econômico podem alterar:

  • o custo de financiamento dos bens;
  • a remuneração das aplicações financeiras;
  • a disponibilidade de crédito;
  • os preços;
  • as perspectivas de emprego e renda;
  • o momento mais adequado para assumir determinados compromissos.

O que as famílias podem fazer nesse cenário?

As famílias não controlam inflação, juros ou decisões de política econômica. Mas podem reduzir a própria exposição a esses fatores.

Isso passa por organizar melhor a renda, evitar dívidas caras, preservar margem para imprevistos, formar reservas e avaliar com mais cuidado decisões de consumo, crédito e investimento.

Educação financeira vai além de economizar ou escolher bons investimentos. Ela ajuda a preservar a capacidade de escolha e a analisar o efeito das decisões para o bem estar da família.

Administrar o orçamento familiar requer boas escolhas no presente para ampliar as possibilidades de amanhã.

Precisa de ajuda para organizar o orçamento?

O GEDAF oferece orientação individual para analisar questões específicas sobre suas finanças.

Saiba mais: Consulta Financeira Expressa


Por GEDAF Editorial, 2026.

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DISC: ferramenta para entender pessoas e melhorar a gestão

agosto 30, 2026

Compreender como as pessoas se comunicam, tomam decisões e reagem aos desafios pode ajudar líderes e empresas a melhorar a gestão de equipes.

Nesse contexto, o DISC é uma ferramenta de análise comportamental que pode apoiar o autoconhecimento, a comunicação, o desenvolvimento profissional e a gestão de pessoas.

Seu objetivo não é rotular indivíduos, mas reconhecer tendências de comportamento e usar essas informações de forma prática no ambiente de trabalho.

O que é o DISC?

O DISC organiza tendências comportamentais em quatro dimensões principais:

  • D: Dominância
  • I: Influência
  • S: Estabilidade
  • C: Conformidade

Cada dimensão representa formas diferentes de lidar com desafios, pessoas, mudanças, regras e procedimentos.

Na prática, as pessoas apresentam combinações dessas dimensões, com algumas características mais evidentes do que outras. Por isso, o resultado deve ser entendido como um mapa de tendências comportamentais, e não como uma definição fixa da personalidade.

A origem do modelo remonta a 1928, quando o psicólogo norte-americano William Moulton Marston publicou o livro Emotions of Normal People.

Marston descreveu padrões de comportamento que posteriormente deram origem à estrutura conhecida como DISC. Os instrumentos de avaliação utilizados atualmente foram desenvolvidos depois, com base nessa estrutura teórica.

Quatro perfis comportamentais

D — Dominância

Associada à objetividade, iniciativa e foco em resultados. Pessoas com essa tendência costumam agir com rapidez, assumir desafios e buscar soluções. Podem contribuir para decisões e avanço de projetos, mas precisam cuidar da escuta e da paciência. Na comunicação, respondem melhor a mensagens diretas, com objetivos e prazos claros.

I — Influência

Relacionada à comunicação, entusiasmo e capacidade de mobilizar pessoas. Pode favorecer engajamento, integração e troca de ideias, embora exija atenção à organização e aos detalhes. Na comunicação, tende a funcionar melhor uma abordagem aberta, participativa e dinâmica.

S — Estabilidade

Ligada à cooperação, previsibilidade e confiança. Pessoas com essa tendência podem contribuir para a continuidade dos processos, apoio aos colegas e equilíbrio da equipe. Mudanças rápidas podem exigir mais contexto e tempo de adaptação. A comunicação funciona melhor com clareza, segurança e explicação das etapas.

C — Conformidade

Associada à análise, precisão, critérios e atenção aos detalhes. Pode contribuir para qualidade, planejamento, controle e avaliação de riscos. Como ponto de atenção, pode haver excesso de cautela ou dificuldade em decidir com informações incompletas. Na comunicação, valoriza dados, critérios e informações bem estruturadas.

Como aplicar o DISC nas empresas?

Liderança

O DISC pode ajudar líderes a compreender melhor suas próprias tendências e a adaptar a forma de delegar tarefas, dar feedback, conduzir reuniões e acompanhar resultados.

Comunicação

Pessoas diferentes preferem formas diferentes de receber informações. Algumas valorizam objetividade; outras precisam de mais contexto, interação ou detalhes. O DISC pode ajudar a reduzir ruídos e melhorar a comunicação.

Gestão de conflitos

Diferenças comportamentais podem ser interpretadas como resistência, agressividade, falta de comprometimento ou excesso de cautela. Compreender essas diferenças ajuda a tratar conflitos de forma mais objetiva.

Trabalho em equipe

Equipes são formadas por pessoas com diferentes formas de agir, decidir e se relacionar. O DISC pode ajudar a reconhecer essas diferenças e favorecer uma atuação mais complementar.

Desenvolvimento profissional

Os resultados podem estimular reflexões sobre comunicação, tomada de decisão, reação à pressão e pontos de desenvolvimento, apoiando planos de crescimento profissional.

E no recrutamento e seleção?

O DISC pode complementar entrevistas e outras etapas de seleção, oferecendo informações sobre tendências comportamentais.

No entanto, não deve ser utilizado isoladamente para aprovar ou excluir candidatos. Competências técnicas, experiência, formação, requisitos da função e outras evidências precisam continuar fazendo parte da análise.

DISC e autoconhecimento profissional

O teste pode ajudar o profissional a refletir sobre perguntas importantes:

  • Como costumo reagir sob pressão?
  • Como prefiro receber orientações?
  • O que me motiva?
  • Como tomo decisões?
  • Em quais situações minha comunicação pode ser mal interpretada?

Essas reflexões podem orientar planos de desenvolvimento individual, preparação para novas responsabilidades e melhoria das relações no trabalho.

O resultado é mais útil quando se transforma em ações práticas, como desenvolver a escuta, organizar melhor as tarefas, desenvolver maior objetividade ou ampliar a flexibilidade.

Cuidados importantes na utilização do DISC

  • O resultado representa tendências comportamentais e não constitui diagnóstico clínico.
  • Não existe perfil melhor ou pior; cada estilo pode apresentar forças e pontos de atenção.
  • O comportamento pode variar conforme o ambiente, a função, o momento profissional e as exigências da situação.
  • Aplique o teste com transparência, finalidade definida e respeito à privacidade das pessoas.
  • Considere o contexto na interpretação e, quando necessário, recorra a profissional capacitado.
  • O DISC não substitui avaliação de competências técnicas, desempenho, saúde ocupacional ou análise de riscos psicossociais.

Conheça os testes DISC do GEDAF

O GEDAF disponibiliza testes DISC para uso individual, profissional e em grupos.

Acesse os testes DISC: clique aqui.

Também está disponível a Sessão Online de Devolutiva, serviço opcional voltado à compreensão dos resultados e à sua aplicação em processos de autoconhecimento, carreira, desenvolvimento profissional e gestão de pessoas.

Conclusão

O DISC pode ser uma ferramenta útil para compreender diferentes formas de agir no ambiente profissional.

Quando utilizado de maneira ética e contextualizada, pode apoiar a comunicação, a liderança, o desenvolvimento profissional, a integração de equipes e a gestão de conflitos.

Mais importante do que identificar um perfil é transformar os resultados em informações úteis para entender pessoas e melhorar a gestão.