Fiocruz repudia lei que flexibiliza agrotóxicos

maio 10, 2018

Em Nota Pública, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) se posicionou contrária ao Projeto de Lei 6299/02, que trata do registro de agrotóxicos no país, com votação prevista no Congresso Nacional na terça-feira (8/5).

Para a Fundação, o projeto visa alterar em profundidade o Marco Legal sobre o tema (lei 7.802/1989), negligenciando a promoção da saúde e a proteção da vida, e configurando uma desregulamentação que irá fragilizar o registro e reavaliação desses produtos no Brasil.

A proposta significa um retrocesso que põe em risco a população, em especial grupos populacionais mais vulneráveis como mulheres grávidas, crianças e os trabalhadores envolvidos em atividades produtivas que dependem da produção ou uso desses biocidas.

A instituição vem produzindo pesquisas que evidenciam os impactos negativos dos agrotóxicos para a saúde, o ambiente e a sociedade. A Fiocruz ressalta que o cenário de enormes vulnerabilidades sociais e institucionais existentes na maioria dos territórios onde há uso de agrotóxicos, que interferem diretamente na ocorrência dos casos de intoxicação, constitui uma situação verdadeiramente preocupante, e que pode ter repercussões graves e irreversíveis para gerações atuais e futuras.

Confira a nota na íntegra:

Nota pública contra a flexibilização da legislação de agrotóxicos

A expansão das commodities agrícolas impulsionou o mercado de agrotóxicos no Brasil, que hoje configura-se como um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. O uso desses biocidas representa um grave problema de saúde pública devido tanto à toxicidade dos produtos quanto às enormes vulnerabilidades socioambientais e político-institucionais que o país enfrenta.

As recentes mudanças na conjuntura política no país impuseram uma série de medidas na seguridade social, observadas principalmente a partir das perdas de direitos presentes na reforma trabalhista realizada sem um amplo debate junto à sociedade brasileira e também pela ameaça de uma reforma previdenciária, realizadas para atender aos interesses do grande capital.

É neste bojo que se coloca a retomada da pauta das mudanças no marco legal de registro de agrotóxicos no país, cujas alterações propostas foram agrupadas em um conjunto de projetos de lei denominado “Pacote do Veneno”, capitaneado pelo agronegócio e que busca flexibilizar o registro de agrotóxicos ao alterar em profundidade a lei 7.802/1989, negligenciado a promoção da saúde e proteção da vida.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem como missão institucional promover a saúde e o desenvolvimento social, gerar e difundir conhecimento cientifico e tecnológico e ser um agente de cidadania, sendo pautada pelo compromisso ético de produção de uma ciência crítica e engajada em defesa da saúde e do ambiente. Historicamente, a instituição vem produzindo pesquisas que evidenciam os impactos negativos dos agrotóxicos para a saúde, o ambiente e a sociedade. Assim, a Fiocruz não pode se eximir de posicionar-se publicamente diante de situações que representem a negação de seu compromisso ético e institucional, e mesmo do própria conhecimento científico.

Nesse contexto, a Fiocruz se coloca contrária ao Projeto de Lei 6.299/2002, com votação prevista para 8 de maio de 2018 no Congresso Nacional e que, se aprovado, irá fragilizar o registro e reavaliação de agrotóxicos no país, que hoje tem uma das leis mais avançadas no mundo no que se refere à proteção do ambiente e da saúde humana.

As principais mudanças propostas incluem:

  • A mudança do nome “agrotóxicos” pelas expressões “defensivo fitossanitário” e “produtos de controle ambiental” em uma estratégia que oculta as situações de risco ao comunicar uma falsa segurança desses produtos químicos;
  • A criação da CTNFito, aos moldes da CTNBio, comissão que vai centralizar no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) a análise toxicológica e ecotoxicológica para a aprovação de registro de produtos, hoje atribuições da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Também caberá a esta Comissão o estabelecimento de diretrizes para reduzir os impactos dos agrotóxicos sobre o ambiente e a saúde humana, dentre outras funções. Com as mudanças estes órgãos passarão a ter papel meramente consultivo, em uma estratégia que suprime a atuação reguladora do Estado ao deixar decisões que deveriam ser técnicas nas mãos do mercado;
  • A inserção da análise de risco, permitindo que produtos que hoje têm o registro proibido em função do perigo que representam – como aqueles que causam câncer, mutações, desregulações endócrinas e más-formações congênitas – passem a ter o registro permitido se o risco for considerado “aceitável”, banalizando o risco.

As alterações propostas representam um retrocesso que põe em risco a população, em especial grupos populacionais vulnerabilizados como mulheres grávidas, crianças e os trabalhadores envolvidos em atividades produtivas que dependem da produção ou uso desses biocidas. Somando-se a isso o cenário de enormes vulnerabilidades sociais e institucionais existentes na maioria dos territórios onde há uso de agrotóxicos, que interferem diretamente na ocorrência dos casos de intoxicação, tem-se uma situação verdadeiramente preocupante, e que pode ter repercussões graves e irreversíveis para gerações atuais e futuras, com custos de curto, médio e longo prazo.

A regulação de agrotóxicos não pode ser tratada de forma simplista, com a proposição de mudanças voltadas para atender aos interesses do mercado. A justificativa de que é preciso “dar celeridade aos processos de registro” trata as avaliações hoje conduzidas como burocracias desnecessárias que representam entraves à economia, um entendimento equivocado e perigoso e que pode trazer prejuízos incomensuráveis para a saúde, o ambiente e a sociedade.

Ao invés de resolver a precarização técnica e humana da estrutura reguladora, propõem sua desregulação. É preciso que haja rigor no processo de avaliação e que sejam ofertados aos órgãos competentes, tais como a Anvisa e o Ibama, condições adequadas de trabalho – materiais e pessoais – para que o processo de avaliação e registro de agrotóxicos possa ser conduzido com todo o rigor necessário para a proteção da vida e a defesa de um ambiente equilibrado.

A Fiocruz reafirma seu compromisso de defender o ambiente e a saúde, compreendendo que os interesses econômicos jamais podem se sobrepor aos de defesa da vida.

 

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias, publicado em 08/05/2018.

Prevenção de Acidentes do Trabalho no Brasil em 2018

abril 28, 2018

O adoecimento ocupacional e as quedas do trabalho em altura serão o foco da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CANPAT), que será realizada pelo Ministério do Trabalho em todo país a partir de abril. O objetivo é sensibilizar a sociedade sobre a importância do desenvolvimento de uma cultura de prevenção de acidentes e doenças do trabalho. Read more

FGV realiza Simpósio Revitaliza Saúde no Rio de Janeiro

novembro 24, 2017

Simpósio Revitaliza Rio tem como objetivo dialogar sobre o momento da Saúde no Estado do Rio de Janeiro. Oferecer diretrizes sob forma de documento para propostas de Cenário em 2018. Encaminhar debates e consolidações que visa melhorias na assistência Pública e Privada do Rio.

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SIMPÓSIO REVITALIZA RIO / REANIMA A SAÚDE

Data: 01/12/2017
Hora: 08:30
Local: FGV CENTRO – Rua da Candelária, 6 – Auditório.

INSCRIÇÕES

Clique aqui para acessar a ficha de inscrição do evento.


PROGRAMA DO SIMPÓSIO

08h30 às 09h – ABERTURA

Istvan Kasznar – Professor Titular de Economia e Administração da FGV.

Tania Furtado – Coordenadora Acadêmica dos cursos de MBA executivo em Saúde/FGV. Coordenadora Acadêmica do Mestrado Internacional em Gestão dos Serviços de Saúde ISCTE/FVG.

09h às 10h – O QUE PODEMOS FAZER PELA SAÚDE DO RIO?

Palestrante: Luiz Antônio de Souza Teixeira Júnior – Secretário de Estado de Estado de Saúde do Rio. Médico ortopedista formado pela universidade Iguaçu (Unig). Sócio da Ortotrauma, que fundou em 2007, quando tinha 34 anos, Luiz Antônio é membro do Conselho de Administração da Unimed Nova Iguaçu, é vice-presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (COSEMS-RJ).

Debatedores:

Marcus Vinícius – Diretor Geral dos Hospitais Federais. Médico formado pela UFF. Residência médica em ortopedia e traumatologia pelo INTO. Pós-graduado em medicina desportiva pela UVA. Mestrando em economia pelo IBMEC.

João Ferreira Costa – Professor da FGV – MBA em Saúde.

10h às 11h – SUSTENTABILIDADE E SOLUÇÕES PARA SAÚDE

Palestrante: Clemente Nobrega – Consultor, escritor e palestrante. Foi pioneiro na introdução dos conceitos e práticas de Gestão pela Qualidade na AMIL. Possui nove livros publicados. É fundador da Innovatrix e membro do Conselho Administrativo do INLAGS.

Debatedor: Josier Marques Vilar – Diretor presidente do IBKL, sócio diretor da Pronep Home Care e Preside a Câmara Setorial de Saúde da Câmara Empresarial do Rio de Janeiro.

11h às 12h – 3º SETOR: PARCERIA VIÁVEL PARA MELHORIA DE QUALIDADE EM SAÚDE

Palestrante: Renilson Rehem – Presidente do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS) e Superintendente Executivo do Hospital da Criança de Brasília José Alencar.

Debatedores:

Andre Guanaes – Fundador e Superintendente Técnico-Científico do Instituto Sócrates Guanaes (ISG). Doutor em Ciências da Saúde (USP). Mestre em Medicina Interna (UFBA);

Maria Juraci Dutra – Psicóloga. Secretária Municipal de Saúde 2008 – 2015. Presidente do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Coordenadora Geral dos Contratos de Gestão das Upas da Mare, Ilha do Governador, Penha, Engº de Dentro, Iraja, Hospital Municipal de Paraty e Pinheiral e Samu do Médio Paraiba – OS Viva Rio.


Este evento é oferecido pelos cursos:

  • MBA Executivo em Administração: Gestão de Saúde.
  • Pré–Master Internacional: Gestão de Serviços em Saúde.

 

Fonte: FGV Management Rio, acesso em 24 nov. 2017.