Automação Tecnologias - Engenheiro de Cibersegurança - Norwich University
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O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas – Ipea divulgou estudo sobre os impactos das tecnologias de automação na redução de tarefas realizadas por humanos e eliminação de empregos formais no Brasil nos próximos cinco anos.

As novas tecnologias digitais – inteligência artificial, computação em nuvem e a internet das coisas – vão alterar profundamente a produção, a distribuição e a comercialização de produtos e serviços. Essa revolução trará novas oportunidades de negócios, emprego e renda. Contudo, há o risco de eliminação ou transformação de muitos postos de trabalho.

O estudo “Propensão à automação das tarefas ocupacionais no Brasil” foi elaborado por Luis Claudio Kubota e Aguinaldo Nogueira Maciente, técnicos de planejamento e pesquisa do Ipea. O artigo correspondente foi publicado na edição nº 61 do boletim Radar – Tecnologia, Produção e Comércio Exterior.

Os autores consideraram tecnologias já consolidadas e passíveis de implantação do ponto de vista regulatório no prazo de cinco anos. No longo prazo, a maioria das tarefas está sujeita à automação.

Metodologia

Os pesquisadores analisaram a base de dados com 19 mil tarefas necessárias à realização de diversas ocupações formais catalogadas na Occupational Information Network (O*NET), desenvolvida sob o patrocínio do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, e na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério da Economia (ME) do Brasil.

Foi adotada a abordagem inovadora de classificar as ocupações com maior risco de automação conforme a importância (dada pela frequência) e a relevância das tarefas desempenhadas em cada ocupação.

Os pesquisadores utilizaram atributos matemáticos binários 0 ou 1 (variáveis dummy) para avaliar as tarefas relacionadas às diversas ocupações catalogadas.

A tarefa seria classificada automatizável, assumindo valor 1. Essa variável dummy foi multiplicada pela importância (escala de 1 a 5) e pela relevância (escala de 0 a 100) da tarefa, conforme a base de dados O*NET. O resultado gerou o escore variando de 0 a 500 para cada tarefa.

Em seguida, para cada ocupação, a soma dos escores multiplicados pela dummy de automação foi dividida pela soma dos escores sem multiplicação pela dummy. Isso gera valores entre 0 e 1, indicando o percentual das tarefas automatizáveis de cada ocupação, já ponderado pela importância e pela relevância de cada tarefa.

Conclusões

No Brasil, o emprego é ainda dominado por ocupações com percentual alto ou médio-alto de tarefas automatizáveis nos próximos anos (56,6% do emprego civil formal em 2017).

As atividades com empregos mais vulneráveis à automação se concentram na indústria têxtil e de vestuário, na indústria alimentícia, na agropecuária, na indústria da madeira, na fabricação de móveis e na metalurgia.

No setor de serviços, o impacto da automação será maior para atividades de contabilidade, consultoria e auditoria contábil; serviços de limpeza; obras de acabamento; atividades paisagísticas; e armazenamento, carga e descarga.

As ocupações com maior percentual de tarefas classificadas como automatizáveis estão relacionadas à:

  • operação de veículos e máquinas do setor de mineração (operador de shuttle car, destroçador de pedra, operador de equipamentos de preparação de areia);
  • metalurgia (moldador e macheiro, à mão e à máquina);
  • instalações (instalador de materiais isolantes e acústicos, revestidor de interiores);
  • transportes (operador de empilhadeira e caminhão);
  • construção (armador de estrutura de concreto, montador e preparador de estruturas metálicas);
  • indústria madeireira (prensista de aglomerados e compensados); e
  • atividade de embaladores, à mão.

Entre as ocupações classificadas como não automatizáveis, considerando-se aquelas com maior participação no emprego em 2017, destacam-se:

  • dirigentes do serviço público federal;
  • analistas de recursos humanos;
  • coordenadores pedagógicos;
  • professores de ensino superior, especialmente nas áreas de didática, línguas e literatura;
  • gerentes de produção e operações;
  • comerciantes varejistas;
  • advogados;
  • recreadores;
  • supervisores de ensino; e
  • membros superiores do Poder Executivo.

Os pesquisadores do Ipea alertam que o Brasil deve se preparar não apenas para a continuidade da substituição de algumas ocupações já em declínio, mas também para o início do declínio de ocupações que foram importantes para o crescimento do emprego nos últimos quinze anos.

A conjuntura desfavorável e os desafios estruturais impostos pelas novas tecnologias digitais colocam a geração de emprego no centro do atual debate econômico.


Fonte: 61º Boletim Radar Tecnologia, Produção e Comércio Exterior. Brasília: Ipea, 2009. Acesso em 22 dez. 2019. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/radar/191213_radar_61.pdf>.

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