Concentração bancária e spread no Brasil

abril 27, 2018

Concentração bancária e falta de competição não são maiores causas do alto spread, alega Febraban

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, negou que a concentração bancária e a falta de competição entre os bancos sejam as maiores responsáveis pelo alto spread praticado no país. O spread, diferença entre os juros cobrados pelo banco ao emprestar e a taxa que ele paga ao captar dinheiro, foi tema de audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no Senado, realizada na terça-feira (24/04/2018).

O representante da Febraban citou levantamento do Banco Central, mostrando que a inadimplência é o componente de maior peso:

— Temos que considerar, na verdade, não a taxa de inadimplência em si, mas seu custo. No Brasil, mesmo para os créditos com garantia, a taxa de recuperação é baixa. Só conseguimos recuperar 16% dos valores garantidos e somente quatro anos depois de iniciada a cobrança […] Para reduzir o spread, temos que fazer uma reforma no ambiente de crédito para reduzir custos da inadimplência, de impostos e outros — explicou o presidente da Febraban.

Concentração Setorial

Murilo Portugal disse ser uma meia verdade o que se diz a respeito da concentração bancária no país. Ele lembrou que o setor é intensivo e concentrado no mundo inteiro.

Levando em conta os cinco maiores bancos do país, o Brasil está em quinto lugar num ranking de concentração.

— Uma parte disso se explica pela alta presença dos bancos públicos, que têm 54% do mercado de crédito brasileiro e atuam muito fortemente nos setores imobiliário e rural. Se excluirmos essas duas áreas, o Brasil cai do quinto para o oitavo lugar — ponderou Murilo Portugal.

Em relação à competição, o presidente da Febraban afirmou que as instituições são sim a favor da concorrência. Segundo ele, se o mercado nacional não fosse competitivo, a principal evidencia disso seria o lucro muito maior que o de outros setores da economia.

Segundo Portugal, a rentabilidade do setor bancário no país está em posição intermediária na comparação com outros ramos.

Murilo Portugal negou a informação de que a arrecadação das instituições com cobranças de tarifas bancárias já seria o suficiente para pagar o salários dos funcionários. Ele afirmou que, em dezembro de 2017, os bancos receberam R$ 44,2 bilhões com tarifas, enquanto, no mesmo mês, as despesas de pessoal foram R$ 121 bilhões.

— As pessoas consideram que R$ 70 de tarifa por mês é absurdo. Mas em São Paulo, quando damos o carro para o manobrista, pagamos R$ 25 por uma ou duas horas. Achamos isso normal, mas ninguém acha normal pagar ao banco para guardar o dinheiro durante um mês — comparou.

Desconfiança

Os argumentos da Febraban não convenceram os senadores Ataídes Oliveira (PSDB-TO), Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que, na fase de debates, insistiram em questionar a alta margem de lucro das instituições, obtido em parte com a cobrança de juros elevados dos clientes.

— Lamento a necessidade de ter que se instalar uma CPI para investigar os juros elevadíssimos dos cartões de crédito. Reuniões como essa já foram realizadas e nenhuma surtiu efeito efetivo. Vamos discutir isso novamente na CPI. Precisamos ter dinheiro a juros decentes nas mãos dos consumidores e empresários — afirmou Ataídes, que é presidente da comissão de inquérito.

Educação Financeira

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), por sua vez, lembrou que o cenário se torna especialmente complicado porque no Brasil existe uma “voracidade no consumo e uma anorexia na poupança”, visto que o brasileiro tende a consumir demais e a poupar pouco.

— Até nisso a educação é importante. Neste caso, a educação financeira. Se todos os brasileiros passassem um mês sem usar cartão de crédito ou sem pedir dinheiro emprestado, a taxa de juros cairia — afirmou.

Autor do pedido para a realização da audiência, o senador Armando Monteiro (PTB-PE) afirmou que recuperação da economia brasileira está ocorrendo de forma lenta porque o crédito, que é o motor da economia, ainda é muito caro e difícil, tanto para as famílias quanto para as empresas.

— O que vemos é um crédito que não vem cumprindo o papel que deveria cumprir. E isso se dá porque temos taxas de juros desestimuladoras para o ambiente econômico — avaliou.

Cadastro Positivo

Convidados e senadores concordaram com a necessidade de a Câmara aprovar o quanto antes o projeto de lei que viabiliza o cadastro positivo de consumidores. A proposta já passou pelo Senado no ano passado.

— A competição vai aumentar se mais instituições tiverem acesso às informações. Informação é poder adicional de mercado para quem concede crédito. Se houver informação, o competidor pode fazer ofertas mais agressivas — opinou o professor da PUC-Rio Vinícius Carrasco.

Para o diretor de relações institucionais do Nubank, Bruno Nagrani, o cadastro positivo tem potencial de impacto impressionante, especialmente para as instituições menores, que não têm nem de perto o mesmo nível e riqueza de informações que os grandes bancos têm.

— Se não tenho essa informação sobre o risco de cada cliente, vou assumir que os juros serão mais altos — afirmou.

O Nubank é uma Fintech, sigla em inglês (finance and tecnology) para representar empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros.

Fonte: Agência Senado, acesso em 26/04/2018.

Netflix anuncia série inspirada na operação Lava jato

fevereiro 16, 2018

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Goiás incluirá educação fiscal e financeira no currículo escolar

janeiro 20, 2018

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Seminários discutem Investimento, Tecnologias e Educação Financeira

novembro 26, 2017

Entre 6 a 14 de dezembro deste ano, serão realizados no Rio Janeiro diversos eventos sobre ciências comportamentais e educação financeira, sustentabilidade, e as novas tecnologias financeiras (Fintech).

Os eventos são gratuitos e incluem o Seminário Brasileiro de Sustentabilidade e Investimento, o Seminário Regional sobre Novas Tendências em Educação Financeira, e o Seminário Brasileiro sobre Fintechs.

Organizadores e Público-Alvo

Os organizadores são a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Ambima) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OECD).

Haverá a participação de renomados acadêmicos, pesquisadores nacionais e internacionais, bem como representantes de órgãos reguladores e autorreguladores. Os encontros proporcionarão uma abordagem multidisciplinar, nos campos da psicologia, economia, antropologia, educação e outros, além de debater estratégias e políticas públicas inovadoras de educação financeira.


Programação

06/dez (quarta-feira): Seminário Brasileiro de Sustentabilidade e Investimento
Local: Centro de Convenções Bolsa do Rio – Praça XV de Novembro 20, Centro, Rio de Janeiro – RJ

7-8/dez (quinta e sexta-feira): Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor
Local: Hotel Othon Palace – Avenida Atlântica 3264, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ

11-12/dez (segunda e terça-feira): Seminário Regional CVM/OCDE sobre Novas Tendências em Educação Financeira
Local: Hotel Othon Palace – Avenida Atlântica 3264, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ

14/dez (quinta-feira): Seminário Brasileiro sobre Fintech – Tecnologia e Inovação no Setor Financeiro
Local: JW Marriott Hotel – Avenida Atlântica, 2600, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ


Inscrições

As vagas são limitadas e as inscrições devem ser realizada com antecedência,  procedimento indispensável para a entrada nos eventos.

A inscrição nos eventos dos dias 6 a 12 de dezembro deve ser realizada no link http://www.iecbrazil.com.br.

Para se inscrever no Seminário de Fintech do dia 14 de dezembro clique aqui.

O programa completo dos temas dos painéis e seus componentes está disponível nos respectivos links.

 

Fonte: IEC Brasil, 2017

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