Planeta dos Humanos (Michael Moore, 2020)
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Michael Moore, cineasta e escritor norte-americano, lançou o documentário “Planeta dos Humanos”. Nesse novo trabalho, Moore desmistifica as “ilusões verdes” apoiadas por grandes corporações e políticos para utilização de turbinas eólicas, energia solar, carros elétricos e biomassa em substituição aos combustíveis fósseis.

O documentário retrata a proliferação de usinas de gás natural e biomassa. Nos EUA e Europa, novas usinas a gás natural, combustível fóssil associado à extração do petróleo, estão sendo construídas ao lado de antigas plantas que processavam o carvão mineral. As usinas de biomassa, por sua vez, geram energia através da queima de madeira triturada. Contudo, o impacto ambiental dessas soluções é muito grande.

As fontes eólica e solar são questionadas quanto a sua eficiência e materiais fabricados com combustíveis fósseis. Geradores eólicos demandam grandes estruturas de aço e concreto instaladas em áreas montanhosas. Painéis de geração solar são produzidos com materiais obtidos na mineração de quartzo e carvão de elevada pureza. Esses sistemas possuem vida útil inferior a 20 anos.

As baterias utilizadas em veículos elétricos e celulares demandam mineração de lítio, cobre, cádmio e outros metais encontrados em terras raras. Diversas áreas de países em desenvolvimento são degradadas pela mineração, expondo trabalhadores e crianças a substâncias químicas perigosas à saúde.

Moore entrevista pesquisadores e cientistas, representantes de movimentos ambientais e pessoas nas cidades dos EUA onde foram instaladas usinas de energia verde. O documentário apresenta muitos dados e animações para entender o aumento exponencial do consumo de energia nas últimas décadas e a evolução das energias verdes.

A civilização humana sempre acreditou no poder da tecnologia para se desenvolver até o próximo degrau da evolução, consumindo cada vez mais recursos que resultam em novos dilemas morais e éticos. Persiste, entretanto, o problema de escala de população versus limitação de recursos naturais para atender as demandas crescentes.

Resumo do filme

  • Título: Planet of the Humans (Planeta dos Humanos)
  • Duração: 1 h 40 min
  • Origem e lançamento: EUA, lançado em 20.04.2020
  • Classificação: documentário sobre economia
  • Produtor: Michael Moore
  • Direção: Jeff Gibbs

O documentário “Planeta dos Humanos” está disponível gratuitamente no canal YouTube, com legendas em inglês ou tradução automática para o português.


Avaliação do GEDAF (escalas 0 a 10) para o documentário “Planeta dos Humanos”

  • Roteiro: 9,0
  • Interpretação: 8,0
  • Fotografia (cenário, figurino, direção de arte e fotografia): 8,0
  • Direção: 9,0
  • Entretenimento: 9,0 (conscientização ambiental)
  • Nota Final: 8,6

Planeta dos Humanos revela muitas contradições sobre a energia verde e o próprio movimento ambientalista que cresceu nas últimas décadas. Líderes ambientalistas defendem que é possível ser mais sustentável utilizando as novas energias em substituição aos combustíveis fósseis como petróleo e carvão.

Contudo, as energias verdes têm grande impacto no meio ambiente e são dependentes de recursos minerais e materiais tradicionais – aço, alumínio, concreto, carvão -, extraídos ou processados industrialmente com uso de combustíveis fósseis.

As novas energias demandam processos industriais complexos que geram grande quantidade de resíduos tóxicos lançados na atmosfera, na água e no solo. Placas solares, por exemplo, não são fabricadas com areia comum, ao contrário do que muitos pensam.

Gasta-se mais energia nesse ciclo do que o retorno obtido com a geração de energia propriamente dita pelas fontes solares, eólicas e biomassa. Essa é a principal incoerência apontada.

A matriz energética da Alemanha também é apontada como pouco sustentável, apesar de sua liderança em tecnologias ambientais. A energia gerada na Alemanha depende em mais de 95% dos combustíveis fósseis, incluindo o carvão, o petróleo, e o gás natural fornecido pela Rússia e EUA.

A sustentabilidade da indústria de veículos elétricos também é colocada em dúvida, pois a recarga das baterias em tomadas alimentadas pela rede pública de energia implica indiretamente na participação de combustíveis fósseis para a sua geração.

Moore revela sua frustração com o movimento ambiental. O show “Dia da Terra”, evento importante dos defensores do meio ambiente, é realizado com energia de grupos geradores a diesel, pois as placas solares instaladas nesses locais não têm potência suficiente para os equipamentos instalados.

Grupos financeiros apoiam as energias verdes, aportando fundos em grandes projetos de energia de biomassa, eólica e solar. O documentário expõe as contradições entre o discurso pró-ambiental e os negócios do empresário Al Gore, ex-presidente dos EUA na gestão Bill Clinton, autor do premiado filme “Uma Verdade Inconveniente” no qual ele denunciou as mudanças climáticas.

Gore e vários famosos estão “pegando carona” no negócio da energia verde. Há a “corrida ao ouro” por grandes investimentos no mercado de novas energias, muitos interesses de grandes corporações industriais e financeiras.

O documentário mostra a insatisfação e apreensão da população nos locais onde foram construídas ou serão implantados parques eólicos e solares ou usinas de biomassa. Em determinada cena, a equipe de filmagem de Moore é ameaçada pelo capataz da planta de biomassa, sendo obrigada a se retirar.

O Brasil foi mostrado como importante fornecedor de madeira e recursos minerais. Há cenas contundentes do desmatamento de florestas na Amazônia, invasão de terras indígenas e destruição do habitat de animais selvagens.

Reflexões sobre o futuro da civilização humana

O documentário estimula a reflexão sobre a sustentabilidade, muito além de rotular energias como sujas ou verdes. É preciso reduzir o consumo esbanjador de energia da civilização moderna.

Apesar de a espécie humana ter alcançado elevado nível de desenvolvimento científico e tecnológico, sua sobrevivência e perpetuação estão em risco. A destruição em escala global dos recursos naturais e da vida animal são inaceitáveis. Não há recursos suficientes no planeta para acompanhar o padrão de consumo e as energias verdes não serão a solução desse problema.

Gostando ou não das polêmicas de Moore, este documentário invoca maior conscientização sobre a importância de repensar hábitos de consumo e a perpetuação da vida no planeta. Também acende a luz vermelha para a energia verde, mostrando que ela não é tão milagrosa ou inocente como tem sido propalada por seus defensores.

Segundo Moore, a linha de equilíbrio do planeta já foi cruzada há muito tempo, sendo urgente adotar novos modelos de desenvolvimento sustentável para preservar a vida humana e a natureza.

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Crédito: GEDAF Finanças e Empreendedores, publicado em 26.04.2020, por Rone Antônio de Azevedo. Todos os direitos reservados, reprodução permitida, com citação da fonte.

AZEVEDO, Rone Antônio de. GEDAF Finanças e Empreendedores. Documentário “Planeta dos Humanos” desfaz as ilusões da energia verde e alerta sobre crise ambiental. GEDAF Finanças e Empreendedores, 2020.

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